segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Prefácio


Difícil deixar de comparar as pessoas a livros

Livros verdadeiros, sem marmelada, tudo real e acontecendo nesse exato momento

Cada qual escrevendo suas paginas, errar pode, só não pode apagar

Escrevemos mesmo sem saber, quando dormimos, pois até mesmo os sonhos ficam gravados
Incrivel como cada um de nós protagonisa outras estórias

Nossa trama se entrelaça, nossas histórias se cruzam das maneiras mais inesperadas

Nada de cenas previstas, somente páginas inéditas, com as mais improvaveis encruzilhadas finais felizes e tristes, se é que que finais existem, porque estou convencido que começo não tem, é o oposto do universo

E nessa biblioteca há livros interessantíssimos, em vários idiomas, é verdade, contudo na mesma língua

Tem aqueles com belas capas, enormes ilustrações e um prefácio encantador, porém as histórias são enfadonhas, sem profundidade, sem verdade

Tem livros tristes, que choro só de olha-los, tem os engraçados e os sérios, que nem por isso deixam de ser cômicos

Os que eu mais gosto são aqueles que ficam em baixo na prateleira, que quase nimguém vê, suas páginas são amarelas, empoeiradas e corroidas por insetos, esses são mágicos, sempre têm algo interessante pra contar, são mágicos

Ah, mas tem um que é especial para cada um de nós, é aquele que guardamos na cabeceira da cama, e sempre antes de dormir lemos suas poesias. Digo poesia, porque nas suas palavras encontramos muito mais significado que em quaisquer outras.

E o mais bonito é quando dois passam a ser protagonistas na mesma estória contada por dois livros diferentes, são as mesmas notas musicais mesmo que em diferentes escalas

Assim é quando a gente entra em sintonia, e as paginas mais importantes são escritas

Daí, quando passo a escrever seu livro e você o meu, parece que meu personagem encontrou seu palco e se mostra infinito mesmo crendo-se finito